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Pragas |
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A Mineira dos Citrinos |
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Estratégias de luta para o seu combate Introdução A mineira dos citrinos (Phyllocnistis citrella), considerada praga - chave da cultura dos citrinos, foi assinalada pela primeira vez em Portugal, em Julho de 1994, próximo do Patacão (Algarve). Após a sua detecção, rapidamente se disseminou por toda a Região, afectando de uma forma geral todas as folhas e rebentos tenros da grande maioria das espécies e cultivares de citrinos. No ano seguinte foi assinalada nas regiões do norte do País e Região Autónoma da Madeira e posteriormente nos Açores. A experiência técnica adquirida após cerca de oito ciclos culturais (pesquisa bibliográfica, desenvolvimento de projectos técnico científicos – efectivação de estudos e ensaios sobre esta temática – avaliação e aplicação dos resultados obtidos), permitem neste momento, perspectivar uma estratégia de luta viável e satisfatória, com exequibilidade prática e racionalidade, integrando neste contexto, predominantemente, aspectos de ordem cultural e de bioecologia. Morfologia e bioecologia Trata-se de uma pequena borboleta – microlepidóptero, de coloração branco - prateado, que apresenta um comprimento médio do corpo de 3 a 5 mm e uma envergadura de 5 a 8 mm. Apresenta quatro estados de desenvolvimento, ovo , larva (Fig. 2), pupa (Fig. 2) e adulto (Fig. 1), dividindo-se o estado de larva em quatro instares, L1, L2, L3 e pré-pupa. Dependendo das condições climáticas e da existência de substrato vegetal, uma geração pode desenvolver-se entre 13 a 52 dias, podendo apresentar entre 5 e 13 gerações anuais. Nas condições do Algarve e de acordo com os estudos efectuados, P. citrella tem condições para desenvolver, em média, entre 7 a 8 gerações anuais, podendo em anos muito favoráveis completar 10 gerações (Soares, 1996; Passos de Carvalho et al., 2000). A fêmea adulta, 14 a 24 horas após a emergência, acasala, estando em condições de iniciar a postura decorridas 24 horas. De uma forma geral, efectua as posturas nas folhas do hospedeiro, nos raminhos jovens e mais excepcionalmente na epiderme dos frutos. Os ovos são facilmente confundidos com gotículas de água, por apresentarem uma superfície lisa, translúcida a transparente. O período de incubação dos ovos pode durar entre 2 e 10 dias. Após esta fase, eclodem as larvas que imediatamente penetram na epiderme da folha, onde se vão alimentar do conteúdo celular do parênquima. A galeria que constróem nas folhas, tem forma sinuosa, de modo a aproveitar melhor a área foliar e permitir mesmo que o seu crescimento seja acompanhado pelo desenvolvimento vegetativo das folhas. A galeria inicialmente é estreita, aumentando de dimensões à medida que a larva se desenvolve. No decurso da sua actividade alimentar, as larvas originam sintomas muito característicos, que estão associados a uma linha de excrementos expelidos que escurecem à medida que se vão oxidando e decompondo. Quando completam o seu desenvolvimento, as larvas deixam de se alimentar e procuram um local na folha, normalmente junto à sua margem, onde através das secreções sedosas que produzem, provocam um enrolamento típico, construindo a câmara pupal. A fase de desenvolvimento larvar tem uma duração que pode variar de 5 a 20 dias. No caso da fase de pupa, a duração situa-se entre 7 e 15 dias. Completado o desenvolvimento, o insecto adulto emerge, apresentando uma longevidade que pode ir de 2 a 12 dias, sendo em termos médios superior no caso das fêmeas. Os estragos que provoca nos seus hospedeiros (espécies e cultivares pertencentes à família das rutáceas – onde se incluem os citrinos), são essencialmente ao nível dos jovens rebentos, com encarquilhamento e deformação das folhas. Estas, quando sujeitas a fortes ataques, podem mesmo acabar por cair. Nas observações efectuadas pelos autores, entre 1995 e 2001, sobre a incidência desta praga num pomar de citrinos do Centro de Experimentação Agrária de Tavira, foi possível verificar a diferença entre o início dos ataques de P. citrella com importância económica: desde o início de Março, em 1997, até ao início de Junho em 1999. De uma forma geral, pode referir-se que, a partir de Julho, já todas as jovens folhas se encontravam atacadas, mantendo-se esta situação até ao final de Outubro (Fig. 3). Estratégia de luta Considerando as características desta praga e face aos dados referidos quanto ao seu comportamento, a estratégia de luta a empreender contra este inimigo deverá basear-se, essencialmente, nos princípios da protecção integrada. Nesta óptica, assume papel de relevância, a avaliação da importância das rebentações (fluxos vegetativos e suas características arborícolas) e o nível populacional em que a praga se encontra em cada um dos períodos de ocorrência das mesmas. Assim, são de considerar duas situações distintas, em termos de importância das rebentações: -Árvores jovens, reenxertadas e recentemente podadas - de uma forma geral todos os lançamentos são importantes, durante todo o ano, exigindo nestes casos um acompanhamento mais rigoroso, face ao prolongado período potencial de risco; -Árvores adultas - considera-se que deverá ser dada especial atenção à rebentação julgada importante. Neste caso, inclui-se a vegetação primaveril (normalmente sem sofrer ataques de P. citrella, dadas as condições climáticas desfavoráveis e baixas populações da praga) e a do final de Verão / princípio de Outono (período onde se verificam elevados níveis populacionais do insecto). O nível económico de ataque (NEA) que se encontra referenciado em Portugal, para P. citrella, adoptado por Cavaco & Gonçalves (2000), é o seguinte: -árvores jovens e reenxertadas - 10 – 15 % de rebentos, com larvas L1 e L2.; -árvores adultas (rebentações importantes) – 20 – 55 % de rebentos, com larvas L1 e L2. A utilização da estratégia de luta acima referida, evita que o Citricultor, motivado por questões relacionadas com os efeitos cosméticos – sintomas evidentes, provocados por esta praga na vegetação, possa vir a realizar de tratamentos fitossanitários (excessivos), sem justificação do ponto de vista económico. Assim, por forma a tirar o maior partido possível dos meios de luta disponíveis, as medidas a adoptar, compatíveis com a protecção e produção integradas, deverão basear-se principalmente nas seguintes acções: Luta cultural - provocar a antecipação e concentração da primeira rebentação das plantas, evitando rebentações heterogéneas e sem interesse na produção futura. Neste caso, incluem-se as aplicações azotadas, podas, regas e outras práticas culturais, as quais são susceptíveis de induzir ou promover a antecipação e intensificação da rebentação, de forma homogénea, com significado produtivo. A experiência entretanto acumulada, sobre esta matéria, tem vindo a confirmar que se estas medidas forem executadas com racionalidade, atingir-se-ão os resultados esperados – rebentação no início da Primavera ilesa, representando no caso das árvores adultas, cerca de 70 a 80 % da totalidade da massa foliar. Luta biológica - deverá preservar-se a acção das espécies parasitóides autóctones, das quais foram já identificadas, na entomofauna regional as seguintes espécies: Pnigalio mediterraneus, Pnigalio sp., Cirrospilus pr. lyncus, C. pictus, C. vittatus e Sympiesis gregori. Estas espécies apesar de poderem exercer acção de parasitismo durante todo o ano, é segundo vários especialistas, nos períodos de Outono/Inverno que têm demonstrado uma maior actividade, contribuindo assim para a limitação natural das populações da praga. Estudos efectuados com espécies com especificidade na limitação natural de P. citrella, como é o caso de Ageniaspis citricola e Citrostichus phyllocnistoides, mostraram boa capacidade de adaptação, expansão e eficácia, respectivamente para a primeira espécie na Região autónoma da Madeira e nas Ilhas Canárias e no caso da segunda, em Espanha, na comunidade autónoma de Valência. Esta última espécie tem manifestado uma capacidade de adaptação e de expansão notável, tendo já sido assinalada noutras comunidades espanholas, como é o caso de Andaluzia, existindo mesmos fortes indícios que já esteja presente na Região do Algarve. Luta química - meio de luta que, indiscutivelmente, tem apresentado resultados bastante satisfatórios. Todavia, deve sempre ser encarado como meio complementar, aplicado de forma racional e oportuna (alternância de produtos de acordo com o modo de acção) e, aliado a outros métodos de combate. Realça-se que, na tomada de decisão de tratar, deverão estar sempre subjacentes vários aspectos, já referidos, tais como: idade da planta, importância da rebentação, nível de infestação e estado em que se encontra a praga. A luta biotécnica e genética até ao momento não se têm revelado promissoras, não sendo no entanto de descurar que no futuro possam assumir um papel de maior relevância. |
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